sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Luz para ver os tais.

"Ele não disse nada e seguiu em frente. Vi quando caiu por terra, arfando, e quando se levantou novamente e voltou a correr.
Encolhi-me ainda mais na beirada e fechei os olhos e pensei: 'Ah, que vida esta, para começo de conversa, para que nascer? Só para submeter nossa pobre carne a horrores assim tão impossíveis quanto montanhas enormes e pedras e o espaço vazio?', e com terror me lembrei do famoso ditado zen: 'Quando chegar ao topo de uma montanha, continue escalando'. O ditado fez meus pelos se arrepiarem: quando estava sentado sobre as belas estrelas de Alvah, aquilo soara como uma poesia encantadora. Naquele momento, bastava para fazer meu coração saltar dentro do peito e fazer meu coração sangrar pelo simples fato de ter nascido. 'Na realidade, quando Japhy chegar ao topo daquela escarpa ele vai continuar escalando, pelo jeito como o vento está soprando. Bom, este velho filósofo vai ficar aqui, bem aqui', e fechei os olhos. 'Além disso', pensei 'descanse e seja gentil', você não precisa provar nada. 'De repente, ouvi um lindo grito montanhês falhado de intensidade estranhamente musical e mística ao vento, e olhei para cima, e era Japhy em pé no topo do pico do Matterhorn, soltando sua canção de alegria de Buda Montanhês Arrasador, triunfante por ter conquistado a montanha. Foi lindo. Foi engraçado também, ali no topo da Califórnia que não era tão engraçado assim. e no meio daquela neblina agitada.
Mas eu precisava tirar o chapéu pra ele, quanta coragem, quanta resistência, quanto suor, e agora o homem louco cantava: a cereja em coma do sundae. Eu não tinha força bastante para responder ao grito de Japhy. Ele deu uma corridinha lá em cima e sumiu do plano (segundo ele) que se estendia alguns metros para o oeste e daí voltava a desabar lá pra baixo, talvez até os pisos de diferença. Era insano. Dava pra ouvir ele gritando na minha direção, mas eu só me encolhia mais na minha reetrância protetora, tremendo. Olhei lá para baixo, para o laguinho onde Morley estava deitado de barriga para cima com uma folha de capim na boca e falei alto: 'Aqui está o carma destes três homens - Japhy Ryder chega a seu pico triunfante e coquista; eu quase chego lá, mas preciso desistir e me encolher em uma porcaria de caverna. mas o mais inteligente de todos eles é aquele poeta dos poetas deitado lá embaixo com os joelhos cruzados olhando para o céu, mascando uma flor, sonhando à beira de um plage gorgolejante, caramba, nunca mais vão me fazer subir aqui'.
Os vagabundos iluminados - Jack Kerouac.



Desenhei o modo como imaginei a cena descrita. Uma das mais instigantes, para mim, em que senti o frio de Ray, a brisa de Japhy e o conforto de Morley. Este livro é realmente incrível.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Salivar

outro mundo, chocolate, estrada
silêncio, tons, rosa, amada,
arroz, sol, carne, mar
strokes, desconectar
respirar, uh ah
gemer, gozar,
estudar.
mochila, carro, cereal
amigos, maconha, pau
desonibusar, transar
desrelógio, destempo
contento.
fim de tarde, brisa
risos, violão, sem camisa
calor, grito, frio
bain de rio.
grama, deitar
rir, amigos, mousse de limão
tesão.
fini, sabonete, desmoral
imoral, amoral, sem moral
oral.
tinta, papel, poeta
história, s
zzZz
concha, areia
orvalho, nevasca
alasca, eua,
meditar, insenso
inconsenso
atópico
utópico
itópico
af.

sábado, 28 de setembro de 2013

Pequen Menin

Consideravelmente errado
aos olhos de quem?
nunca amou
de quem nunca soube
o que é se sentir bem
entre beijos, carinhos, abraços
e cabelos
e maresia
e festas
e risos
comida chinesa
bem, meu bem
sorvetes e café
pra quem acredita 
na simplicidade do coração
que, a propósito,
não é tão quanto tu pensas
cabe muitas coisas
chaveiros
cabelos
até meu amor.

Mulher que é mulher.

Mulher, pra mim, só serve se não tiver passado. Onde já se viu ficar com mulher que já ficou com muitos caras? Tem que ser virgem e não pode querer chamar a atenção de todo mundo. Tem que saber a hora de falar (pra não parecer exibida), tem que saber como se sentar e não pode se vestir que nem uma vadia. Longe de mim uma mulher que se veste que nem uma vadia. Essa coisa de short curto, decote muito longo. Nada disso! Se tem que mostrar pra alguém, esse alguém sou eu e somente.
E mulher que bebe? Ave maria! Um parceiro bêbado, tudo bem. Mas uma mulher bêbada, só serve pra cair bêbada e alguém comer depois. Comer e sumir no outro dia, porque nenhum cara vai querer uma mulher que dá no primeiro encontro. Vocês podem me julgar, mas sejamos francos: qual de vocês se apaixonaria pela mulher que não espera nem você pagar a conta e já fala coisas indecentes no seu ouvido pra vocês dois irem pro motel? PUTA! Por isso que eu digo, mulher boa é mulher que não gosta de sair, porque aí eu vou beber com os caras e eu já sei que ela tá em casa estudando, vendo televisão, mas pelo menos num tá caindo bêbada pra outro cara comer. É isso mesmo.
Mulher minha, num vai ser nem amiga desse tipo de mulher. Porque mulher é assim, basta ver uma amiga fazendo uma coisa que quer fazer também, aí vai querer ser toda cheia das liberdades e eu vou mandar ela namorar outro cara, depois de rir da cara dela por saber que ela não vai arranjar outro cara, porque os outros caras, eles não querem mulher que tem ex. Eles pensam "com certeza já deu. PUTA!" e aí já viu. Essa mulher já era. Vai pedir pra voltar porque só eu vou querer, mas eu vou querer só pra outras coisas, vocês sabem. Eu lá vou saber o que ela fez nesse tempo livre! Vai ser só minha mulher de segundo plano e eu vou continuar comendo as outras putas que não conseguiram arranjar um namorado. A história se repete, são todas iguais, vocês tem que ver. Sempre o mesmo discurso "espero que com você seja diferente", aí eu vou, digo que vai ser diferente, mas é claro que não vai ser! Vê se tem lógica: a mulher ali dando pra mim depois de a gente ter se pegado uma vez esperar que eu, logo eu que sou o que sou, apresente ela pros meus amigos? Essas coisas das mulheres me fazem rir. Deveriam se preservar se quisessem um futuro bom. E também deveriam parar de querer ser todas iguais. E parar de querer ser puta porque o papel de ficar com mais de uma pessoa por noite é nosso e elas nasceram pra ser educadinhas de pernas cruzadas que trocam olhares e vão embora. Se não for assim, não vai ser. Porque mulher assim é tudo igual, mas mulher minha vai ser diferente.



Infelizmente, por esse discurso ser tão presente, comum e aceito pelas pessoas, alguns não vão entender que é uma crítica, uma ridicularização e me chamar de machista. Eu apenas lamento o que acontece, deixando (do que modo que me foi conveniente) para vocês a reflexão dessas ideias que escuto diariamente.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Desses bem clichês que só se sabe quando vive.

       Meus olhos estão pequenos porque eles te encontraram, você sabia? Que eu estou tão acostumada a lidar com coisas desagradavelmente tristes e solitárias que o simples ato "falar de você" me deixa sem palavras. Meus olhos, eles eram grandes de medo. "Que olhos grandes você tem". É pra me defender melhor. Diga-me que você também não se espantaria com aqueles olhos famintos, que estaria mentindo. Agora eles estão tão relaxados quanto eu por inteira ao seu lado. Sei lá, foi difícil achar um porto seguro e eu mereço o prêmio de dramática do ano por falar assim, tão sensivelmente, usando todas as metáforas possíveis. Escrevendo dentro de um ônibus como nota do celular, porque eu realmente precisei falar de você. Vão ler isso, sabia? E se identificarão. Vão ler, achar lindo, mas você, unicamente você, vai saber o peso de cada palavra pra mim, meu amor, pra nós. Porque você não só sabe, como adora. Você sabe como meu cabelo fica quando eu acordo, você sabe o que eu gosto de comer (mas isso uma porrada de gente sabe), agora você... você faz questão de fazer disso a coisa mais linda e significante. Você sabe da minha inconstância e adotou ela, junto com minhas crises existenciais e a minha fobia de animais rastejantes. Veja só, você acabou de mandar uma mensagem perguntando onde eu estou. Eu tou aqui, querendo ser engolida pelo seu coração gigantesco. Tou indo te ver agora porque passar um dia sem te ver, é pedir demais. Tou indo pra onde nunca pensei encontrar tanto conforto, mas a vida surpreende. E veio você.
Sou louca por ti, moço.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

São só palavras bonitas.



Esse trecho foi retirado da série A menina sem qualidades, mas o modifiquei pra combinar com a foto e o momento.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Sentimentalmente parafraseando.

O quanto eu te falei, minha cara, que isso ia mudar? Ah inúmeras e inúmeras e talvez mais inúmeras vezes. Eu prometi pra mim mesma pensando "ah, mentindo a gente acaba acreditando". Mas na verdade, motivo eu nunca dei. E você sempre a me avisar, me ensinar "não vale a pena", "vai com calma", "deixa estar". Infelizmente, minha amiga, falar do que foi pra você não vai me livrar de viver, mesmo sabendo que dá aquele alívio poder de te contar e desabafar com aquelas palavras cheias de mágoa. Mas o que foi, foi. E eu me pergunto "quem é mais sentimental que eu?". Eu pergunto sempre, porque se existir alguém, me mostre. Eu digo isso pra que as pessoas tenham alguma pena ao menos pelo meu sentimentalismo. Eu disse e nem assim se pôde evitar.
De tanto eu falar pra ele, minha colega, ele subverteu, você não já percebeu? O que era um sentimento. Ele fez o pior de tudo, fez dele razão pra se perder no abismo que é pensar e sentir. Há algo pior que isso? Meu sentimentalismo, hein? Mesmo com toda essa proteção, eu tenho uma certeza: ele é mais sentimental que eu. Então deem-me um desconto, porque eu sei que fica bem se eu sofro um pouco mais.
Sussurram pra ele, eu posso ouvir, mas ele não: "se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Por último e não menos doloroso, me parte o coração ser tão consciente e ao mesmo tempo ingênua de só aceitar a condição de tê-lo só pra mim, até porque sei que não é assim. Mas, minha doce amiga, deixa eu fingir e rir.

Escrito num papel, num tempo onde tudo era choro ou escuro. Senão os dois concomitantemente. Dedicado à Amanda e Lorena, amigas que gostam tanto dessa canção quanto eu. E de me escutar também.

domingo, 23 de junho de 2013

Velas acesas num bolinho.

"Tábatha princesa,
Sei que você não queria receber ligações/mensagens de ninguém, mas não dá pra deixar de lado o momento em que você veio ao mundo.
Você é uma linda de um coração imenso. De um cabelo maior que o rosto e de olhar assustado. De dentes que dá vontade de sorrir junto. Você tem seu jeito de menina encantadora que não se perde em suas diferentes faces. Essa é você! Que se desdobra em várias, mas que nunca perde essa essência de menina, e, por favor, não a perca e não se perca. Ou perca-se! Perca-se dentro de você! Perca-se dentro da sua genialidade e curiosidade! Perca-se diante do que o mundo tem a lhe oferecer, mas volte, se ache, ache o seu caminho depois de ter provado de tudo.
Não dê ouvidos aos que não te amam, mas saiba reconhecer as doces palavras de quem te ama. E não os ignore, eu só te peço um presente (eu sei que o aniversário é seu, porém quero esse presente): não deixe que eu e os outros deixem de te ver sorrindo, assim, sendo bem clichê mesmo, mas é o que nós precisamos: te ver bem. Fica bem!
Raquel."

Uma carta que recebi, junto com velas acesas num bolinho e uma rodinha de amigos no chão da faculdade. Sabem como atacar a minha sensibilidade.

Aniversário, Aspas, Amanda.

"Sei que tu não quer receber parabéns hoje e respeito. Então saiba que não estou ligando pra te desejar feliz aniversário. Principalmente porque eu fiz questão de esquecer que hoje você completa 18 aninhos. Enfim.. Tô te ligando pra te parabenizar. Porque eu to te acompanhando pelos últimos 11 meses e sei, mesmo que por cima, cada dor que você sentiu. E superar isso, cada detalhezinho, é algo difícil. Parabéns por ser você. Por ter superado o furacão chamado G******. Parabéns pela personalidade que você possui. Pela força. Pela fonte inesgotável de lágrimas que você tem. Pela sensibilidade SEM TAMANHO e pela fé inesgotável que tu guarda dentro de si. Até quando você tenta ser incrédula, tu ainda consegue se agarrar à alguma esperança. Seja através de uma música ou de um texto. Essa é uma coisa tão linda, tão admirável. Creio que é o que eu mais gosto em ti. Parabéns pelo senso de humor. Pela risada linda e pelo seu sorriso que ficou ainda mais perfeito sem os ferrinhos quadrados. Parabéns por ter passado pela decepção que foi o R***** e pela vitória de ter pessoas como o G******, A******** e P******** por perto. Eles são, de fato, um grande presente na vida. Parabéns por tudo. Pelos amigos que você tem, mesmo quando diz que não tem. Pela ismigôul e pelo pulcher. Tá vendo o tanto de coisa que aconteceu na tua vida nesses últimos 11 meses? Foi um ano e tanto e tu merece os parabéns por ter passado por ele. Espero que você curta seus 18, mais do que eu to curtindo os meus. E espero também festejar tudo que o destino te reserva junto contigo! De mão dada, de boca colada, abraço apertado, namorada ou cigarro compartilhado, tanto faz... Só quero estar junto. Sempre! Seja na sala de aula ou na mesa de bar. Te amo, Thzinha. Amo mesmo!"

Um lindo texto que recebi no dia de meu aniversário.

terça-feira, 18 de junho de 2013

E que o que ainda não foi, seja!

Quatro listras: duas verdes, duas amarelas na bochecha esquerda e direita. Vinte centavos. Alguns milhões a mais. Bilhões até? Dez mil vozes numa só. Dez mil pés cansados por essas ruas que cheiram a gás,
gás por todo lugar. Só sufocando. Só sufocando? Não.
Sufoca um, erguem-se dez. Cala um estado, que gritem mais dez. "E que nada cale a nossa voz".
Gás? Houve um erro! Não pedi gás, pedi paz. Isso mesmo p-a-z.
Três letras, vinte feridos, vinte centavos. Atenção, o despertador tocou! E é claro que um filho teu não foge a luta!
Luta? Pelo mínimo. Vergonhoso. Vergonha, cheios de vergonha. Entrar num daqueles hospitais públicos. Vergonha. Luta dos professores em salas de aula, ah heróis.
Muitos heróis, novos e velhos. Uma luta. Aqui, oitenta mil
no poste
no carro
no ônibus
na rua.
Um milhão e seiscentos mil braços erguidos, sim algo ainda está de pé. Um, dois, dez, quinze, vinte motivos. Vinte centavos? Vinte mortos esperando na fila por uma consulta,
luta? O povo luta.
Um país, verde, amarelo, branco, azul anil. Agora as listras seguem braços e pernas. O rosto inteiro verde e amarelo. E vermelho, algo me atingiu e sangra. "Jamais pensei que ele fosse atirar". Um tom de vermelho que se confunde com fogo e sangue. Sangue verde e amarelo. Amarelo de raios fúlgidos? Amarelo ouro. Bilhões até.
As quatro listras verde e amarelo, os vinte centavos, a voz, os pés, o filho, o herói, o novo e o velho, a luta, o braço, o povo, gigantes pela própria natureza, não temem a própria morte.

domingo, 9 de junho de 2013

1/2 de reflexões antes do almoço

     Há um tempo tenho pensado em algo que só se pensa quando está triste. Penso encostada no poste esperando o ônibus passar, penso com a cabeça encostada na janela do ônibus, penso antes de dormir. Acho que tenho pensado tanto que nem cabe em mim.
     Eu pensava que a dor era um tipo de amadurecimento, mas repensei e percebi que é só uma coisa que te faz pensar. Depois ré-repensei e acho que é o misto disso. A tristeza que a dor trás, ela te faz pensar como um desgraçado, te faz questionar tanta coisa. Aqueles pensamentos que a gente coloca debaixo do tapete porque vive esperando o dia de ser feliz.
     A felicidade, me chamem de louca, mas a felicidade é um mal. Gente que é feliz é toda boba. Ri de tudo, tudo é engraçado, tudo é válido, tudo é motivo, tudo é causa, tudo explica. Gente feliz não liga pra nada. Gente feliz não se escora no poste, na janela do ônibus. Gente feliz dorme.
     Quando a gente fica triste, fica lembrando de todos os momentos, aí começa a analisar. Se você faz isso, pare... vicia e não é bom. Não é bom ser triste e ficar procurando coisa na memória. Acontece que triste a gente fica mais inteligente, como entender? Queria achar uma metáfora, ou ainda uma comparação para aqueles leitores superficiais não lerem esse texto e me chamarem de louca mais uma vez, mas eu sinceramente não consigo.
    Bentinho, esse cara poderia ter morrido feliz acreditando ter sido amado por Capitu, mas estudou tanto cada gesto, cada atitude, olhar e palavra, que entendeu o que não queria. É isso, quando você é triste, você olha pra si, você pega o lixo debaixo do tapete e pensa no porquê de aquilo ainda estar ali. Vejamos, uma metáfora! É isso, estar feliz é não perceber o quão terrível a vida é. Estar feliz e vivo e ter ainda alguma esperança dentro de si. Estar triste é analisar, perceber, detalhar, filtrar, concluir, duvidar, desesperar, agoniar e morrer. É um processo doentio, não me perguntaram, de fato, se eu queria tudo isso.

domingo, 2 de junho de 2013

Além do que se vê?

Estive aqui a pensar. Comecei a desenhar então. Esta sou eu há mais ou menos duas horas atrás, horas as quais tirei pra cutucar com ferro quente o coração. A primeira imagem pode ser interpretada como minha visão dessa janela, meio distorcida porque tenho lá os meus dois graus de miopia, mas é burrice chorar de óculos. A segunda mostra como eu deveria estar ridiculamente na janela, cheia de "e se" e "por que". Deve ser só assim que as pessoas me veem, se veem.






segunda-feira, 27 de maio de 2013

Esse título é invisível e não pode ser lido.

         Há alguns dias reparei numa menina que parece meio invisível. Por inteiro, na verdade. Ela está sempre pelos cantos, ela não tem muito o que falar, ela realmente não sabe pra onde ir, ela finge não estar alí, estando. Pus-me a pensar como deveria se sentir ela, sabendo que não marca a vida de ninguém, que não faz falta pra ninguém, que não tem nada pra contar com orgulho. De tanto pensar percebi que ela não era a única a viver assim e que o problema não estava só com ela.
Parei pra pensar no que sentia e no que era. Percebi que não sou. Conclui que também sou invisível. Fui me apagando as poucos, não sei se por querer, mas fui. Às vezes eu estou, mas observo de longe, prefiro não me pronunciar. 
            Ser invisível tem lá suas desvantagens, você acaba mesmo sumindo da vida das pessoas e eu não estou usando metáforas. Com o tempo você se torna completamente dispensável. Com o tempo você nem se vê mais no espelho. O estranho é que só percebi isso agora. As pessoas só percebem quando param pra se olhar no espelho... e aí elas nem existem mais. Então as pessoas vão correr atrás de algum pouquinho de espaço, algum pouquinho de cor pra tanto desenho vazado. Aí elas acham mais borrachas e acabam se conformando que as borrachas são necessárias. Depois elas se olham no espelho e nem se vêem mais.
Eu, particularmente, desisti de tentar ter uma cor porque viver apagadinho é mais cômodo. Eu não atrapalho o desenho da folha de ninguém. Com o tempo a minha página se amassa e nem eu, nem desenho vazado, nem folha, nem borracha existem mais. 
           Eu, particularmente, não sei com que propósito comecei a escrever esse texto que metricamente, contextualmente, poeticamente, filosoficamente não é bom, talvez eu ainda queira surtos de existência. Mesmo sabendo que, só por ter lido esse texto, algumas pessoas vão vir falar o quanto faço falta e o quanto sou "blá blá blá". Como elas podem dizer isso se elas nem me enxergam? Como a gente fala daquilo que não pode ver? Como a gente tropeça e não xinga uma pedra transparente?
Não sei bem, mas acho que agora entendo meu objeto de observação: ela deve pensar como eu. Mas ela nunca viria me falar porque ela não me vê. E ela está se apagando, não por querer, mas está. É a tendência?
         Só quero dormir, descansar minha cabeça invisível. Que hoje passe como ontem, como antes de ontem. E se alguém se sentir meio invisível por terminar de ler isso, leia com apreço meu recado "te entendo, ninguém me entende também."

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Desespero (2)

Outro texto completamente sem propósito de ser um texto, apenas algumas mensagens de texto enviadas de um celular, de um banco, de um shopping. Num momento anterior a acontecimentos ruins.


Caro amor,
          Não queria te dizer isso novamente pra não te deixar com peso na consciência ou coisa parecida, mas estou sentindo demasiadamente a falta sua e, junto a minha liberação de hormônios excessiva nesse período, há em mim necessidade de expressão. Em momento algum deixo de te entender, ou penso em te deixar, jamais! Só digo que por ti, no momento, estou completamente apaixonada e peço que não me deixe gostar nem um pouco.
         É valido ressaltar que daremos um jeito, sempre damos.  E daremos. Preciso da tua felicidade assim pra manutenção da minha, o teu riso faz meu riso mais gostoso. Caso o mesmo fuja de ti, não sei o que será do meu... que meu?
         Não sei por qual motivo, causa, razão ou circunstância estou a te dizer isso. Só precisei, como aquelas coisas que a gente não consegue controlar.
         As coisas mais bonitas são feitas de detalhes. Segundo você, eu sou sua coisa mais bonita e eu sou feita disso. Daqueles detalhes que a gente repara quando tá perto e que tornam a gente tão único um pro outro. Detalhes bobos como o jeito de você comer um cachorro quente num banco qualquer.
        Eu não sei porque você me escolheu, mas isso não entra em questão. Uma coisa eu sei: não é fácil. Não é fácil passar o dia todo esperando você chegar pra gente conversar e se fazer bem e pouco depois eu sentir tua voz com sono, te "colocar pra dormir" e dormir com aquela vontade de conversar até o dia amanhecer. Não é fácil estar a um quarteirão de você agora e querer explodir todos os semáforos e relógios e congelar todas as pessoas só pra te dar um daqueles beijos que fazem as pessoas pensarem que é pra sempre. Não é  fácil escrever isso aqui do banco do shopping sem chorar porque tem umas quatrocentas e vinte pessoas me olhando.
        E eu sei que, como não é fácil pra mim, não é pra você. Na verdade, em meio a tudo isso, você é meu herói. Que babaca, não? Desculpa. É que eu me empolguei olhando uns casais aqui que não tem metade da nossa química e me deu uma vontade de dizer pra eles que existe a gente, deu vontade de deixá-los no chão só com o nosso super abraço mais protetor do mundo.
        E também tem aqui umas meninas sozinhas meio tristes. Posso dizer pra elas que não importam o que elas tenham vivido até agora, se todos os outros não deram certo, se todas as flores que elas plantaram e quiseram que crescesse morreram, não importa, que elas vão achar "um alguém pra limpar toda a sujeira, o rabisco, o nó"? E que quando esse alguém aparecer, não vai importar a idade, nem quantos dias na semana ão se ver, nem se todos os amigos desse alguém vão ser contra. Posso dizer pra elas, amor, que nada nesse mundo freia um coração? Acho que vou ficar na minha. Já ta cheio de coisas querendo que a gente não dê certo, vai que elas inventam de te roubar de mim?! Deixa. Se cuida.
19/02/13. Às 16:22.

Desespero.

 Esse texto não tem o propósito de ser um texto. São apenas mensagens de celular que eu enviei num momento de agonia e desespero.    

       Oi, moço, eu precisava te escrever porque já passou do meu horário natural de dormir, talvez eu esteja um pouco alterada e "tou puta" com o mundo. Ninguém pode saber das coisas que vou te falar, nem eu. Eu ainda preciso de algum orgulho e essa coisa toda de querer ter matar e depois te falar coisas como as tais que falarei acabaram com ele.
        Primeiro queria dizer que acabei de ler o nosso pequeno histórico de mensagens no celular, Deus saiba talvez o porquê de eu ainda fazer isso, porque eu desisti de entender. Fico masturbando minha mentre pra ver se sai realizações. Mas aí sai lagrima pelo olho. Talvez eu esteja chorando e te falando essas coisas porque meus hormônios estão também alterados. Ou talvez eu só goste de você além da conta.
        Acabei de sentir saudade de você me chamando de meu amor. É, ninguém faz mais isso por mim. Fico imaginando a gente abraçado depois de um bom sexo. Você me chamando de meu amor com a mão no meu cabelo e eu com uma cara de cansada que você provavelmente estaria achando linda.
Mas estou um pouco preocupada porque você está começando a ir embora de mim. "Não morre, por favor, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê". Eu queria estar e ser apaixonada por você pra sempre, paixão nutre a gente e... sei lá, você sempre me pareceu o homem da minha vida, mas falar disso assusta de cara né. Agora eu falo porque tou conjugando esse verbo no pretérito com umas gotas de dor e outras de orgulho.
        É, eu fiz um monte de besteira adolescente e te contei com gosto, pra você ter o mínimo de ciúme ou cuidado e me pedir pra parar. Porque eu amo quando você me mandava calar a boca e eu sorria de um jeito bem vulgar.  Mas você nunca mais me deu bola. Então acho que não é só você que está morrendo em mim, também morro em você a cada dia. Se é que nasci.
        Me manda uma mensagem, me chama de meu amor, de th, numa mensagem só! Diz que meus lábios são labirintos que atraem os teus instintos mais sacanas, diz!
        Argh não consigo lidar com você. Você é aquela comida nojenta que meu organismo não digere. Mas eu não sei te vomitar, daí você fica aqui  me fazendo mal e não deixa eu comer mais nada. Vou morrer de fome, a culpa é sua. Amanhã vou tentar te vomitar. É, amanhã. Hoje não.
       E eu vou te ver. Quando eu te vir, eu vou te abraçar e você vai sentir meu corpo todo de novo. Eu juro que vou sussurrar coisas indecentes no seu ouvido e eu espero que você não sinta absolutamente nada, porque se você sentir... eu vou cobrar que me faça sentir também. Boa noite.
Enviada: 00:20.

domingo, 12 de maio de 2013

Poesias roubadas.




Outro desses dias, conheci um moço que anda sempre com um bloquinho de poesias no bolso. Belas poesias, a propósito. Mereceu uma postagem porque achei lindo descobrir que ainda tem gente no mundo que faz isso com gosto, que ainda desabafa (ainda que com uma grafia não tão bonita) pro mundo, de si.
p.s: espero que ele nunca leia e me mande remover a postagem, afinal ele não sabe da existência dessa foto.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Esperança (?)

        Tô olhando pra vocês esperando alguém vir me dizer cadê o brilho do sol bonito que combina com sorriso. Por que ninguém aqui é forte o suficiente pra me dizer que uma hora o sol deixa de brilhar e o nome disso, infelizmente, não é noite. Não mente e diz que é normal ser assim tão infeliz tendo tudo.
         Cadê a falta do abraço que eu sentia? Cadê o cheiro de bem-viver que eu sentia em todo mundo? Cade o brilho do sol pra mim, que um dia eu o sorri? Uma certeza pra mim, deem por favor, que vale a pena, estar aqui, e que todas essas vírgulas não são d'um soluço. Diz pra mim, faz a transcrição da sensação que é correr num sol de 120 graus e não queimar, porque o sol só queima a mim, só
aprendi a me proteger só. Aqui nessa cápsula de "eu" porque aqui não vem nem chuva, nem ar(dor), nem amor, nem sol, nem calor. E se eu quiser brilhar de novo, será que vem? Não sei. Não quero. Ando meio ocupada com os tijolos da parede de "mim."

À beira-mar.

          Ele a abraçou, ambos banharam-se com a luz do luar. Sentiam a brisa tocar seus rostos. Sorriam. Ainda que maior barulho houvesse ao lado, não ligavam. Nada ouviam. Talvez vez ou outra concentrassem-se no palpitar dos corações. Mas aquele vento os beijava entre os próprios beijos. Os corpos encaixados de um modo a sentir todos os suspiros mesmo querendo estes ficarem ocultos.
        Talvez se, naquele instante o mundo acabasse, nem perceberiam. Ele a roubava quase para dentro de si, cheirando seus cabelos. Ela forçava as lembranças pra ver se algo tenha vivido antes foi melhor que aquele momento, talvez não. Talvez aquilo seria o selo para dois corpos, talvez o começo de uma história, talvez algo mais puro e belo como ele sugerido.
        Talvez tenha se tornado apenas uma lembrança ruim.

O futuro, a nós pertence.

Outro que achei num dos diários que, pela data, retrata a fase de uma grande paixão ou quando eu ainda acreditava nela.

       Eu te amo. Quem ama quer bem. Te quero bem. Eu te quero. Te quero aqui pra sempre, mas se não der pra ser assim, eu só te quero o melhor (ou mais que isso). Quero que, se não estiver ao meu lado num futuro distante, esteja cercado de pessoas que te amam e te protejam. Quero que tenha muitos filhos e que fique louco com as fases de cada um. Quero que saiba o que dizer quando um deles perguntar sobre o primeiro beijo ou a primeira vez. Quero pra você uma casinha amarela com jardim na frente e um cheiro de lar doce lar.
        Desejo a ti uma vida cheia de compromissos, dos quais você goste (e não goste também) e que num domingo a noite você lembre de mim com devoção e resolva me ligar pra lembrar o quanto era bom não ter nada pra fazer. Quero que nos encontremos e corramos na rua, tomemos sorvete, cantemos música com uma guitarra imaginária em cima do sofá, igual fazíamos há uns anos atrás, quando nossa única preocupação era pensar se estaríamos perto no futuro.
     E mesmo se não der pra você me ver num final de semana qualquer, quero que você lembre, ao escutar uma música de um show que a gente foi junto, do quanto eu amava todas as histórias que a gente tinha pra contar.
      Quero (tanta coisa de) você, que meu medo de te perder pra sempre e torna maior que qualquer coisa. Enquanto penso nisso tudo, engancho seu dedinho no meu e faço você prometer que vai estar ali quando eu mais ou menos precisar. Você não percebe, sorri alegre, sorri triste, sorri pra me ver, sorri por me ver sorrir.   E a gente vai por aí se sorrindo.

Amor e ódio pelo bom moço.

Achei esse texto num dos meus diários do ano passado, falando um pouco sobre um amorzinho antigo.

       Eu poderia te odiar que seria bem mais fácil. Para eu te odiar, você só tinha que ter sido o pior dos piores: ter me deixado na entrada do cinema com os ingressos na mão, mandado eu calar a boca na frente dos meus amigos, ter falado mal de mim por ai, ter me xingado para seu grupinho e ter feito outras coisas que esses babacas fazem. Juro você que nada seria mais fácil que te odiar. Passar por você e soltar alguma piadinha que fizesse sua consciência pesar, "te xingar até desopilar todos os cantos da minha mente", aí eu teria motivos para não querer mais nada de você em mim.
       Mas essa sua mania de prestar sempre estraga tudo! Agora a culpa vai ser minha! A culpa de ter amado sozinha, me iludido sozinha. Porque você sempre se importou e tomou cuidado até com a minha tristeza, alimentou e colocou pra dormir. Você ficou mal porque eu fiquei mal e, nossa, isso é coisa de quem se importa, não é? Você chorou por não não conseguir corresponder meu sentimento e eu ouvi da sua boca que você se importa, MUITO. E agora antes de ter pena de mim, tenho que ter de você, antes de te culpar, tenho que ressaltar que você não tem culpa, antes de ir embora sem dar o ar da graça, tenho que lembrar que te deixei ali com o coração batendo umas sete vezes ais forte e uma lágrima no rosto, isso tudo por que você se importa e quer me ver bem.
     Se EU não tivesse que me importar com o fato de que VOCÊ se importa, eu estaria, nesse momento, ouvindo alguma música romântica com uma caixa de bombons numa mão e na outra uma caneta pra escrever o quanto eu odeio tudo o que você fez comigo. Isso ia durar um mês, dois, mas ia passar de tristeza a repugnância. Mas não, você não quer ir embora, nem eu. Você não quer que aquele seja o último abraço, nem eu. Você não que ser só mais um que passou, nem eu..
       Se a gente se visse com os mesmo olhos, eu estaria, nesse momento, ouvindo alguma música romântica com uma caixa de bombons de chocolate numa mão e na outra uma caneta escrevendo o quanto eu amo tudo o que você fez comigo.
      Mas a gente não se vê com os mesmos olhos, nem eu te odeio e nenhum dos outros fatos desse texto é verdade. A menos aquele que diz que você se importa. Agora você merece que eu te trate bem, porque você me quer bem e querendo ou não, isso mexe comigo. Por último, o fato de você mexer comigo e se importar comigo só me dá uma certeza: seria bem mais fácil se eu só odiasse você.

Minha gente...

           É tanta gente querendo dar amor pra pouca gente que quer mesmo amar. Não, em uma das primeiras vezes não falo de mim. Não que não se encaixe, mas não é necessariamente o contexto de irreciprocidade que me encontro, talvez. É tanta gente querendo um café quente no domingo com um abraço quente (concorde o adjetivo com o que preferir), tanta gente sabendo que vai ter que ter alguém e perdendo chance. É, se a consciência pesasse uma vez, essa gente toda saberia que não dá pra viver no meio dessa gente sem coração sem ter ao menos uma pessoa de toda essa gente, pra contar como essa gente anda meio deprimente. Não, o que falta pra vocês entenderem que essa coisa de viver sozinho é só pra quem quer caminhar com a loucura? O que custa aceitar um amor que suplica atenção, implora o mínimo de consideração, ao menos uma não-interrupção do assunto tal amor pra se falar de um ex-amor desgastado? Eu só queria que amanhã alguma gente desse valor a porra do amor, todo esse esplendor. Uma gente masoquista que coisa de viver na dor, avisem que não precisa. Há amor, há amor, por favor, em nome de mim, em favor de mim, em favor do café que está esfriando, do abraço que congela a estar, dessa gente deprimente impaciente, em nome dessas palavras de desabafo, aceite tal amor.
para: certa gente.

Alguns versos sintéticos sobre o tal Casmurro.

De tanto analisar, anulou
as lembranças boas,
anulou a
própria existência,
uma vez que disso
por inteiro era feito:
encasmurrou-se.





Depois de muitas aulas de Literatura Brasileira, várias específicas de análise das obras machadianas, várias voltadas para a obra Dom Casmurro e várias voltadas para Bentinho, fiz o discurso do professor em versos, mostrando o que eu entendi da vida do personagem.

Outra forma de cuspir o mundo.

Creio que além de textos as pessoas às vezes buscam imagens pra se identificar. Muitas vezes vemos desenhos que pensamos se são desenhos ou retratos da realidade, esses não são os meus. Assim como os meus textos, esse desenho é como tantos outros apenas por desabafo.


Inspirado numa música (Assim Será) da banda  Los Hermanos que tanto ouço e gosto.

Para uma amiga com o coração maior que eu.

              Eu estive aqui pensando, minha amiga, esse tal de amor existe mesmo. Se existe, não sei usar. "Amor não se usa". Não sei nem regenciar. Não sei o que fazer com ele. Estive pensando em colocar no bolso, mas aí pensei "as coisas que cabem nos bolsos são aquelas que eu preciso lembrar de usar. Talvez se o amor for importante eu deva o guardar em outro lugar". Depois pensei em guardar no guarda roupa, onde guardo as coisas que só quero proteger e deixar ali pra olhar noutra tarde, noutro dia, noutro mês. Mas aí pensei "e se eu esquecer de olhar o amor e ele morrer de esquecimento como umas outras coisas que eu deixei no meu guarda roupa?". Mudei o amor de lugar: joguei no lixo. No lixo ele tá lindo. Eu sei que ele existe, lindo, lá no lixo. Daqui há uma semana alguém joga o lixo pra fora de casa e lá se vai o amor, reciclado será talvez? "É muito descaso". Não sabia o que fazer com o amor, acho que é isso que todo mundo sente. É responsabilidade demais. Antes me dessem um cachorro, um tigre asiático. Cuidaria melhor.
             Pensei no que fazer com esse amor, minha amiga, mas ele andou agonizando de fome por aqui. Levei-o no meu bolso e ele ficou um pouco triste por não ser bem alimentado como todos os outros que viu no caminho. Também ficou esmagado porque eu sentei nele sem dó algumas vezes, mas o avisei de inicio que não sabia ser protetora.
             Deixei ele no guarda roupa mesmo, porque ao menos ele estava em paz. Mas ele gritava noite e dia e não me deixava estudar no meu quarto. Que amor desgraçado! Definitivamente o joguei no lixo. Lá está melhor, tem gente que se alimenta de lixo. Vai que acabam engolindo o amor e fazendo morada nova melhor? É. Essa coisa de amor não me pertence. Sei que existe, minha amiga, bem longe de mim.