terça-feira, 7 de maio de 2013

Para uma amiga com o coração maior que eu.

              Eu estive aqui pensando, minha amiga, esse tal de amor existe mesmo. Se existe, não sei usar. "Amor não se usa". Não sei nem regenciar. Não sei o que fazer com ele. Estive pensando em colocar no bolso, mas aí pensei "as coisas que cabem nos bolsos são aquelas que eu preciso lembrar de usar. Talvez se o amor for importante eu deva o guardar em outro lugar". Depois pensei em guardar no guarda roupa, onde guardo as coisas que só quero proteger e deixar ali pra olhar noutra tarde, noutro dia, noutro mês. Mas aí pensei "e se eu esquecer de olhar o amor e ele morrer de esquecimento como umas outras coisas que eu deixei no meu guarda roupa?". Mudei o amor de lugar: joguei no lixo. No lixo ele tá lindo. Eu sei que ele existe, lindo, lá no lixo. Daqui há uma semana alguém joga o lixo pra fora de casa e lá se vai o amor, reciclado será talvez? "É muito descaso". Não sabia o que fazer com o amor, acho que é isso que todo mundo sente. É responsabilidade demais. Antes me dessem um cachorro, um tigre asiático. Cuidaria melhor.
             Pensei no que fazer com esse amor, minha amiga, mas ele andou agonizando de fome por aqui. Levei-o no meu bolso e ele ficou um pouco triste por não ser bem alimentado como todos os outros que viu no caminho. Também ficou esmagado porque eu sentei nele sem dó algumas vezes, mas o avisei de inicio que não sabia ser protetora.
             Deixei ele no guarda roupa mesmo, porque ao menos ele estava em paz. Mas ele gritava noite e dia e não me deixava estudar no meu quarto. Que amor desgraçado! Definitivamente o joguei no lixo. Lá está melhor, tem gente que se alimenta de lixo. Vai que acabam engolindo o amor e fazendo morada nova melhor? É. Essa coisa de amor não me pertence. Sei que existe, minha amiga, bem longe de mim.

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