terça-feira, 7 de maio de 2013

Amor e ódio pelo bom moço.

Achei esse texto num dos meus diários do ano passado, falando um pouco sobre um amorzinho antigo.

       Eu poderia te odiar que seria bem mais fácil. Para eu te odiar, você só tinha que ter sido o pior dos piores: ter me deixado na entrada do cinema com os ingressos na mão, mandado eu calar a boca na frente dos meus amigos, ter falado mal de mim por ai, ter me xingado para seu grupinho e ter feito outras coisas que esses babacas fazem. Juro você que nada seria mais fácil que te odiar. Passar por você e soltar alguma piadinha que fizesse sua consciência pesar, "te xingar até desopilar todos os cantos da minha mente", aí eu teria motivos para não querer mais nada de você em mim.
       Mas essa sua mania de prestar sempre estraga tudo! Agora a culpa vai ser minha! A culpa de ter amado sozinha, me iludido sozinha. Porque você sempre se importou e tomou cuidado até com a minha tristeza, alimentou e colocou pra dormir. Você ficou mal porque eu fiquei mal e, nossa, isso é coisa de quem se importa, não é? Você chorou por não não conseguir corresponder meu sentimento e eu ouvi da sua boca que você se importa, MUITO. E agora antes de ter pena de mim, tenho que ter de você, antes de te culpar, tenho que ressaltar que você não tem culpa, antes de ir embora sem dar o ar da graça, tenho que lembrar que te deixei ali com o coração batendo umas sete vezes ais forte e uma lágrima no rosto, isso tudo por que você se importa e quer me ver bem.
     Se EU não tivesse que me importar com o fato de que VOCÊ se importa, eu estaria, nesse momento, ouvindo alguma música romântica com uma caixa de bombons numa mão e na outra uma caneta pra escrever o quanto eu odeio tudo o que você fez comigo. Isso ia durar um mês, dois, mas ia passar de tristeza a repugnância. Mas não, você não quer ir embora, nem eu. Você não quer que aquele seja o último abraço, nem eu. Você não que ser só mais um que passou, nem eu..
       Se a gente se visse com os mesmo olhos, eu estaria, nesse momento, ouvindo alguma música romântica com uma caixa de bombons de chocolate numa mão e na outra uma caneta escrevendo o quanto eu amo tudo o que você fez comigo.
      Mas a gente não se vê com os mesmos olhos, nem eu te odeio e nenhum dos outros fatos desse texto é verdade. A menos aquele que diz que você se importa. Agora você merece que eu te trate bem, porque você me quer bem e querendo ou não, isso mexe comigo. Por último, o fato de você mexer comigo e se importar comigo só me dá uma certeza: seria bem mais fácil se eu só odiasse você.

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