Eu queria te dizer muitas coisas que não disse na última vez que conversamos. Você estava apressado para pagar as contas e encontrar seus amigos, eu estava usando a lingerie que você gostava. São detalhes irrelevantes, mas são detalhes. Eu não escrevi sobre você por todo esse tempo porque eu francamente passei por momentos muito difíceis, você deve ter ouvido pela boca de alguém. Ou não.
Francamente, o período sombrio que passei sem você não me interessa lembrar ou te contar, ninguém quer parecer fraco na frente de ninguém, mesmo quando as evidências são incontestáveis. Do contrário, queria te dizer que apesar das mágoas, eu estou realmente grata por você ter existido. Talvez um dia eu me arrependa de te dizer isso, mas já terei dito e sei que você não considera mais minhas palavras há algum tempo. Você realmente não nasceu pra minha intensa mutabilidade,ou mesmo minha "intensa qualquer coisa". Eu mergulho fundo demais e você ficou raso. Não me leve a mal, garoto, eu não estou xingando você. Metade da cidade inteira já presenciou isso em outros tempos e se os bares falassem, eles também te contariam tudo que disse sobre você e o quanto cada parte de você era um grande pedaço de merda (perdoe-me a franqueza).
Quando a gente se desprendeu a primeira vez, eu fiquei grande demais, cheia de mim. Eu descobri que eu podia gostar de coisas que você não gostava. Parece patético se você contar para alguém, mas eu parei de julgar pessoas apaixonadas desde que me apaixonei por você. Foi bom descobrir as minhas particularidades, foi ótimo e ao contrário do que todos pensam, eu não estava fingindo. Eu não fui embora da cidade para te esquecer, te superar, te blábláblá. Eu fui por mim e pelas gotas de amor próprio que eu ainda tinha no meu peito pingando em grandes intervalos quase me implorando para eu acordar. E eu realmente não me arrependo, como eu disse, eu me descobri.
E aí eu te encontrei de novo.
Como eu poderia explicar para o (meu) mundo que eu estava apaixonada por você de novo? Como eu poderia articular para que tudo pudesse voltar a ser como antes? Os filmes na sala, os cinemas aos domingos, as rodas de amigos, as festas nas universidades, os sábados na praia? Eu só deixei acontecer e eu não me importei com a opinião de ninguém. Ninguém, por mais bem que me quisesse, poderia escolher o que era a felicidade pra mim e é disso que vou falar, se é que não já falei.
Foi bom o tempo que tive com você e o quanto você, não só me viu crescer, mas me fez crescer. Eu realmente achei que você fosse ser o pai dos meus filhos e que íamos ter uma casa com cerquinha branca, mas ao perceber que não, hoje não me machuca mais. Eu perdi um grande tempo da minha vida odiando cada célula do seu corpo até poder perceber que o nosso tempo realmente passou. Todo mundo já tinha percebido, menos eu. Confesso, menino, que foi uma das melhores coisas que fiz em 2016.
Se você pudesse ler isso, eu queria que você soubesse que recentemente eu te procurei para dizer - apesar de não ter dito - que estava tudo bem, eu não odeio você, eu não quero você de volta, eu quero que você seja feliz com quem entende você e quem te faz completo. Eu quero pra você o que eu quero pra mim. Por mais nocivo que tenha sido, não machucou só a mim. Deveria me expressar com menos melancolia, mas eu NUNCA consegui falar de você com poucas palavras. Eu te conheço e te amo desde 2013 e, apesar dos hábitos terríveis, você mudou um bocado.
Obrigada por ter me mostrado o que é amor e como ele funciona, o que é amizade num relacionamento e por ter sido nada mais, nada menos que quem você sempre foi.
Não sou obrigada a simpatizar com suas namoradas depois de mim ou ignorar que tivemos uma história, só não quero tornar isso algo mais importante que meu próprio bem estar. Apesar das sequelas que ficam em nós cada vez que nos machucamos, apesar de a gente não querer levantar e tentar de novo quando cai da bicicleta e se machuca, "eu te desejo não parar tão cedo" e tudo mais que se pode desejar a alguém que não se quer mal.
Tudo vale a pena, exceto quando você não se perdoa.