Ontem, a conversar com uma amiga, escutei uma metáfora sobre o barquinho e o cais.
Que às vezes não percebemos quando as pessoas as quais damos proteção e julgamos nosso "bem querer" precisam ser barquinhos que viajam por ai. E acabamos sendo cais. E as lembranças são as cordas que prendem os barquinhos aos cais.
Logo em seguida, vi uma imagem com a frase "Um navio no porto é seguro, mas não é para isso que os navios foram feitos" (William Shedd).
E a partir disso, eu pude entender várias coisas sobre alguns relacionamentos. Uma delas é que às vezes precisamos soltar a corda e sentir o alívio que é ver o seu barquinho preferido navegar por aí. Não que isso seja fácil, longe disso, e quem me conhece (bem ou mal) há de saber o quanto eu eu tentei e insisti. E é só por isso que não julgo tolo, insistente, ou coisa do tipo, quem ainda tenta pelo simples fato de que fomos, somos ou seremos todos um dia.
Dizer adeus nunca é fácil pra ninguém.
Mas saber renunciar, é um ato de bravura para consigo mesmo. Relembrar quem você era antes de "ser dois", descobrir coisas novas, fazer tudo do seu jeito, escolher os programas de domingo, não dar notícias ou dar notícias de tudo. Reestruturar-se.
Não se pode desejar que o barquinho permaneça ali somente por aquela corda carregada de passado, uma sombra do que um dia foi um laço forte. Não se pode estimar quando ou SE o barquinho volta. Mas um fato sobre essa vida é que: nós não sabemos o que ainda está por vir. Ousar é a melhor forma de descobrir.
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