terça-feira, 29 de março de 2016

O que eu sinto vontade de responder quando pedem minha bio

20 anos. Olho pro lado na esquerda e direita vejo gente mais bem sucedida que eu. Em amor, trabalho, independência. Sou dessas. Choro com comédia romântica. Rio com animações do cartoon. Fumo maconha até chegar na ponta. Parei de fumar porque paguei dez reais numa carteira de Dunhill. Não gosto de bebida alcoolica, mas preciso pra sobreviver. Não uso banheiros públicos. Tenho muitos problemas de saúde. Não tenho religião simplesmente porque não consigo acreditar em nada. Admiro a umbanda. Não posso tomar leite. Minha bebida preferida é leite. Faço publicidade. Queria trabalhar num pub. Gosto de sexo que me machuca. Um dos melhores momentos do meu dia é quando encosto a cabeça no ônibus na hora de ir pra faculdade e quando não tenho 3g, porque penso na vida. Aprendi a gostar de rap. Acredito fortemente em astrologia. Tenho preguiça de gente que atrasa a vida. Festas que tocam funk me ganham fácil. Sei inúmeras coreografias de pop. Tenho um quarto com parede de estrelas. Continuo odiando meias e uma série de comédia chamada How I Met Your Mother, gente que não se permite sentir, animais que rastejam e salsa na comida. Não tenho foco algum na vida. Tenho foto dos meus filmes e bandas preferidas no meu quarto. Ofereço presente para as pessoas que gosto, o que é facilmente confundido com cantada. Ganhei apenas um ovo de páscoa em 2016. Quando em casa, passo o dia inteiro sem usar roupa alguma. Sou apaixonada por amores utópicos, o que é facilmente perceptível com uma conversa. Sinto falta de São Paulo, da correria, dos meus amigos, do meu cabelo maravilhoso e do meu ego restaurado. Amo meu piercing e minhas tatuagens. Sonho com soluções eficazes para que os meus pelos pelo corpo parem de crescer sem eu precisar depilar. Adoro ver animações no cinema. Adoro cinema em geral. Ir de bicicleta pra praia é um mantra. Mordo meus lábios muito forte quando, no sexo, sou penetrada a primeira vez. Conheço noventa por cento das pessoas da minha cidade. Desenho nas horas livres quando isso não me é dado como obrigação. Odeio quem se atrasa, Curitiba e sotaque mineiro. Guardo muitas mágoas com relacionamentos que gostaria de me livrar, quem sabe um dia. Faço macarronada com leite. Vou ser madrinha de um bebê. Uso as mesmas roupas desde 2010. Penso em usar tênis em 90% das ocasiões. Minha criatividade não cabe dentro da minha cabeça. Sinto vontade de chorar quando me corrigem ou me cortam em público. Gente que não entende as coisas rápido me estressa, assim como gente que fura. Amo sentir a respiração da pessoa antes de beijo, Tenho um carro, mas não uma habilitação. Descobri um amor por rímel e uma paixão pelo formato dos meus lábios. Odeio minha barriga. Meu estilo preferido de música é indie. Quero passar bastante tempo em New York a ponto de perder o sotaque paulista. Tenho uma avó com Alzheimer. Amo filmar e fotografar momentos.
Não faço a menor ideia do que serei amanhã.

sexta-feira, 25 de março de 2016

O barquinho e o cais

Ontem, a conversar com uma amiga, escutei uma metáfora sobre o barquinho e o cais.
Que às vezes não percebemos quando as pessoas as quais damos proteção e julgamos nosso "bem querer" precisam ser barquinhos que viajam por ai. E acabamos sendo cais. E as lembranças são as cordas que prendem os barquinhos aos cais.
Logo em seguida, vi uma imagem com a frase "Um navio no porto é seguro, mas não é para isso que os navios foram feitos" (William Shedd).
E a partir disso, eu pude entender várias coisas sobre alguns relacionamentos. Uma delas é que às vezes precisamos soltar a corda e sentir o alívio que é ver o seu barquinho preferido navegar por aí. Não que isso seja fácil, longe disso, e quem me conhece (bem ou mal) há de saber o quanto eu eu tentei e insisti. E é só por isso que não julgo tolo, insistente, ou coisa do tipo, quem ainda tenta pelo simples fato de que fomos, somos ou seremos todos um dia.
Dizer adeus nunca é fácil pra ninguém.
Mas saber renunciar, é um ato de bravura para consigo mesmo. Relembrar quem você era antes de "ser dois", descobrir coisas novas, fazer tudo do seu jeito, escolher os programas de domingo, não dar notícias ou dar notícias de tudo. Reestruturar-se.
Não se pode desejar que o barquinho permaneça ali somente por aquela corda carregada de passado, uma sombra do que um dia foi um laço forte. Não se pode estimar quando ou SE o barquinho volta. Mas um fato sobre essa vida é que: nós não sabemos o que ainda está por vir. Ousar é a melhor forma de descobrir.

terça-feira, 22 de março de 2016

Eu to falando de amor

Eu pedi pra ele me poupar
Umas mil vezes,
Duas mil ou mais
Não que ele seja uma pessoa física
Ou alguém que usa
Camisa de super herói.
Felizmente hoje
Ele não é ninguém
Não por morte,
Mas deus o tenha,
Ele não me amedronta mais
Ele hoje passeia tranquilo
Entre os carros e o caos
Oscilando entre
Saudade com melodia
Paz interior
E um desespero sufocante.
Se o sujeito que tanto menciono
Não fosse esse tal amor
Esse poema seria mais claro
Mas não poderia também ser o amor
Mais calmo?
Sem pendular
Confundir, assustar?
Te conto: não podia.
Enche esse peito
Trata tuas férias
Como já disse uma vez
Tudo vale a pena
Exceto quando você não se perdoa.





Antes que eu me perca no meu próprio raciocínio, quero explicar a mim mesma. Lembrar sempre de trocar a palavra "ele", por "amor". Lembrar das referências como a camisa de super herói do "cara lá", saber de que lugar estou falando quando digo "carros e caos" e que a saudade com melodia é do carinha da música que não está perto assim.