domingo, 30 de agosto de 2015

Nota rápida sobre você.

Você sabe ser bom
Em me engravidar de borboletas coloridas
Só por dizer
"Estou chegando"


Você sabe ser bom
Em dar luz ao meu olhar
Pelo simples fato de chegar

Você sabe ser bom
Em ir embora 
E me deixar mimando a saudade
Por causa desse cheiro no meu travesseiro
E os filmes na sala.

Conto as horas pra te ver de novo
Se isso não for amor, decifrem.






quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Conto d'um quarto semiescuro

Eu tentava explicar enquanto ele me apertava as coxas.
- Poupe-me, seu puto!  O que tens com cigarro, eu tenho com amor.
- Vício?
- Um desejo inapagável.
Acariciava minha virilha.
- Exponha seus argumentos, mulher.
- Amo porque preciso me apegar a alguma coisa, todo mundo precisa. Amo sem perder a fé...
- Hm.. - Murmurava ele enquanto, com uma só mão, acendia o cigarro preso nos lábios.
- Porque apesar das incansáveis vezes que tentei dizer "a partir de hoje, não amo mais ninguém", continuei amando. Um pouco escondido, depois vi que só interessa mesmo a mim.
- E onde quer chegar, mulher?
- Que não podes me chamar de fraca porque eu me rendo sempre!
- Para essa coisa de amor, estou blindado.
- Pois saiba que dizem o mesmo do cigarro até provarem. E até julgam louco aceitar tal vício. Não vejo algo mais parecido: as sequelas, a caótica sensação de paz interior... percebe que nunca se termina um cigarro? Um amor também fica sempre por aí. Às vezes não volta pro físico, mas amor mesmo não tem fim.
- Tu não me convences dessas tuas ideias.
Roubei o cigarro da mão e a outra que me acariciava levemente logo me penetrou com vontade.
- E se te negassem todos os cigarros da Terra?
- Eu seco.
- E se o mundo é cada um de nós, o que pensa que acontece se tirar o amor daqui.
Passei a mão pelo coração e em seguida apertei meu peito vorazmente, deixando escapar o mamilo pelos dedos.
- Ele seca. - rendeu-se.
- Entramos num consenso, amor?
- Sim, mulher. Agora deixe-me fum...
Meus olhos de repreensão o perseguiram naquele instante.
- Amar você.
O cigarro deixado de lado apagou-se sozinho enquanto corpos a sua direita se fundiam como um só.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Sem Paradeiro


“Vou mostrando como sou
e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros,
eu deixo e recebo um tanto.”


E é citando novos baianos que começo esse texto.
Para falar de quando estive fora, do que aprendi, do que vivi, de quem conheci.
Só para falar de SP.
Pessoas tão paradoxas quanto o próprio clima: frio - calor. Gente do bem, gente do mal. Carros, metrô, 3,50, poeria, cinza, prédios, bares, drogas, ruas, trabalho.
Mas em meio a tantas decepções (perdoem-me os amantes, mas cada um descansa a alma onde bem entende) conheci gente que valia a pena.
Posso falar das famílias:
A menina loira de nome complicado e sua família (que virou minha em não muito tempo), sua mãe incrível cheia de vida e dois bruguelinhos gritalhões. Sem me esquecer de Margarida e Sofis. E de pretinha que dormiu comigo incansáveis vezes.
A menina ruiva de caixinhos, que aprendeu e aprende todo dia consigo mesma que a vida sempre dá uma segunda chance. E sua família, que me acolheu tão bem, tão sempre, de mulheres lindas e Lopes.
Há também a família do menino beatles, que família, meu deus. A mulher forte no centro e a princesinha protegida por três irmãos bonitões.
E fugindo um pouco das famílias, os laços que fiz através de outros laços que preenchem a fita toda.
Gente cuja alma queima como fogo, como  o grande, grande, grande amigo da 304,o terrorista Bark, o moço forte dos cafés e doces no Bourbon e o melhor guitarrista de cueca da Paulista.
Gente que tem a cabeça lá na lua e me chamou pra andar de balão. “Vem, paraíso, a gente tá ligado”, como a Japa, os olhos claros de João Pessoa, os olhos claros da sala 304 em Sampa mesmo, a loira perfeita fã de Lana del rey, a morena de aparelho e vans mais “abusada” da publicidade, o carioca mais encantador e charmoso ligeiramente facista, o papai dono dos melhores beijos em frente ao Safra e o moreninho salva-cigarros alí da cultura.
Gente que flui como água, gente que faz chover vida em você, como a menina que come livros, a bailarina alemã, o cantor do pudim amassado fã de Percy Jackson e a irmã elfa de olhos puxados do sul.
Gente de pé firme e coração fiel, como a pequena francesa cantora do pudim amassado, o moço que ja trabalhou em todos os empregos, o melhor baterista fã de unicórnios da Paulista, os super Eduardos taurinos branquinhos de óculos, o Otaku de Vargem Grande e os capricornianos da 304, comunista e hipster.
Esse texto é pra vocês. Essencialmente de vocês. Hoje eu não seria quem sou, caso não tivesse vivido cada momento com cada um.
A gente tem muita história pra contar nessa vida. E pra viver, tá escrito.




Esse texto foi escrito no aeroporto de Guarulhos às 20:40h. Entre lágrimas de alívio e uma saudade -que cedo ou tarde viria- do que ali ficava.