“Vou mostrando como sou
e vou sendo como posso.
Jogando meu corpo no mundo,
andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros,
eu deixo e recebo um tanto.”
E é citando novos baianos que começo esse texto.
Para falar de quando estive fora, do que aprendi, do que vivi, de quem conheci.
Só para falar de SP.
Pessoas tão paradoxas quanto o próprio clima: frio - calor. Gente do bem, gente do mal. Carros, metrô, 3,50, poeria, cinza, prédios, bares, drogas, ruas, trabalho.
Mas em meio a tantas decepções (perdoem-me os amantes, mas cada um descansa a alma onde bem entende) conheci gente que valia a pena.
Posso falar das famílias:
A menina loira de nome complicado e sua família (que virou minha em não muito tempo), sua mãe incrível cheia de vida e dois bruguelinhos gritalhões. Sem me esquecer de Margarida e Sofis. E de pretinha que dormiu comigo incansáveis vezes.
A menina ruiva de caixinhos, que aprendeu e aprende todo dia consigo mesma que a vida sempre dá uma segunda chance. E sua família, que me acolheu tão bem, tão sempre, de mulheres lindas e Lopes.
Há também a família do menino beatles, que família, meu deus. A mulher forte no centro e a princesinha protegida por três irmãos bonitões.
E fugindo um pouco das famílias, os laços que fiz através de outros laços que preenchem a fita toda.
Gente cuja alma queima como fogo, como o grande, grande, grande amigo da 304,o terrorista Bark, o moço forte dos cafés e doces no Bourbon e o melhor guitarrista de cueca da Paulista.
Gente que tem a cabeça lá na lua e me chamou pra andar de balão. “Vem, paraíso, a gente tá ligado”, como a Japa, os olhos claros de João Pessoa, os olhos claros da sala 304 em Sampa mesmo, a loira perfeita fã de Lana del rey, a morena de aparelho e vans mais “abusada” da publicidade, o carioca mais encantador e charmoso ligeiramente facista, o papai dono dos melhores beijos em frente ao Safra e o moreninho salva-cigarros alí da cultura.
Gente que flui como água, gente que faz chover vida em você, como a menina que come livros, a bailarina alemã, o cantor do pudim amassado fã de Percy Jackson e a irmã elfa de olhos puxados do sul.
Gente de pé firme e coração fiel, como a pequena francesa cantora do pudim amassado, o moço que ja trabalhou em todos os empregos, o melhor baterista fã de unicórnios da Paulista, os super Eduardos taurinos branquinhos de óculos, o Otaku de Vargem Grande e os capricornianos da 304, comunista e hipster.
Esse texto é pra vocês. Essencialmente de vocês. Hoje eu não seria quem sou, caso não tivesse vivido cada momento com cada um.
A gente tem muita história pra contar nessa vida. E pra viver, tá escrito.
Esse texto foi escrito no aeroporto de Guarulhos às 20:40h. Entre lágrimas de alívio e uma saudade -que cedo ou tarde viria- do que ali ficava.