segunda-feira, 13 de julho de 2015

"Existo em você por louco engano"

Podem achar besteira, ou plena caretice uma vez que estamos no século XXI, mas para mim há algo que ainda é fortemente insubstituível: o afeto demonstrado nas mínimas coisas.
Eu aqui com os meus vinte anos, me vendo a dar suspiros em casa por uma coisa que não parece grandiosa aos olhos de ninguém. Exatamente, ninguém tem os meus olhos.
Recebi, mais cedo, um áudio que foi parcialmente ignorado devido a impossibilidade máxima de execução. Nada mais justo, porque no fundo eu sabia que ia chorar e chorar ao ouvir.
Dito e feito, nada mais certeiro do que as apostas que faço sobre mim.

Eu ouvi o áudio, a música, a voz, a melodia, a letra, o ruído de gravação caseira, eu ouvi-o.

E mesmo sendo inteiramente banal eu para quem supostamente está lendo, eu me senti a pessoa mais importante do mundo.
Porque você se sente mais gente, quando sabe que tem gente que se importa com você.
Porque as coisas começam a fazer links no cérebro e tudo no final acaba se acertando.
Eu tenho um dom de conhecer as pessoas de um jeito mágico e talvez não esteja encontrando léxicos para expressar suficientemente o tanto que ele merece, mas eu queria dizer que ouvi-lo deixou minha alma mais leve.
E deixo mesmo que me leve, alguém que, além da bela canção, me escreva tais versos:

"Na tua pele
de amor-paixão
lençol de tantos corações
mar sinuoso 
afundo 
o sabor meu ofereço
sem caminhos estreitos
pra te despetalar 
em risos-gemidos
pra regar se preciso
sonhos-novos ou falídos-
não pra estinguir as lágrimas
de qualquer que seja o caso
mas enxugo 
e enxutas as dores
calor mar amores 
filho de pescasor que sou
mergulho
não fisgo 
nem faço o tipo predador
mas tenho gosto em riscar
e a tua pele de antigas letras
aventuras acordes me seduz
e mal criado versifico teu corpo
transcrevo sal-dade e desejo."



No fundo ele sabe. Só nossos olhos sabem.

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