domingo, 23 de junho de 2013

Velas acesas num bolinho.

"Tábatha princesa,
Sei que você não queria receber ligações/mensagens de ninguém, mas não dá pra deixar de lado o momento em que você veio ao mundo.
Você é uma linda de um coração imenso. De um cabelo maior que o rosto e de olhar assustado. De dentes que dá vontade de sorrir junto. Você tem seu jeito de menina encantadora que não se perde em suas diferentes faces. Essa é você! Que se desdobra em várias, mas que nunca perde essa essência de menina, e, por favor, não a perca e não se perca. Ou perca-se! Perca-se dentro de você! Perca-se dentro da sua genialidade e curiosidade! Perca-se diante do que o mundo tem a lhe oferecer, mas volte, se ache, ache o seu caminho depois de ter provado de tudo.
Não dê ouvidos aos que não te amam, mas saiba reconhecer as doces palavras de quem te ama. E não os ignore, eu só te peço um presente (eu sei que o aniversário é seu, porém quero esse presente): não deixe que eu e os outros deixem de te ver sorrindo, assim, sendo bem clichê mesmo, mas é o que nós precisamos: te ver bem. Fica bem!
Raquel."

Uma carta que recebi, junto com velas acesas num bolinho e uma rodinha de amigos no chão da faculdade. Sabem como atacar a minha sensibilidade.

Aniversário, Aspas, Amanda.

"Sei que tu não quer receber parabéns hoje e respeito. Então saiba que não estou ligando pra te desejar feliz aniversário. Principalmente porque eu fiz questão de esquecer que hoje você completa 18 aninhos. Enfim.. Tô te ligando pra te parabenizar. Porque eu to te acompanhando pelos últimos 11 meses e sei, mesmo que por cima, cada dor que você sentiu. E superar isso, cada detalhezinho, é algo difícil. Parabéns por ser você. Por ter superado o furacão chamado G******. Parabéns pela personalidade que você possui. Pela força. Pela fonte inesgotável de lágrimas que você tem. Pela sensibilidade SEM TAMANHO e pela fé inesgotável que tu guarda dentro de si. Até quando você tenta ser incrédula, tu ainda consegue se agarrar à alguma esperança. Seja através de uma música ou de um texto. Essa é uma coisa tão linda, tão admirável. Creio que é o que eu mais gosto em ti. Parabéns pelo senso de humor. Pela risada linda e pelo seu sorriso que ficou ainda mais perfeito sem os ferrinhos quadrados. Parabéns por ter passado pela decepção que foi o R***** e pela vitória de ter pessoas como o G******, A******** e P******** por perto. Eles são, de fato, um grande presente na vida. Parabéns por tudo. Pelos amigos que você tem, mesmo quando diz que não tem. Pela ismigôul e pelo pulcher. Tá vendo o tanto de coisa que aconteceu na tua vida nesses últimos 11 meses? Foi um ano e tanto e tu merece os parabéns por ter passado por ele. Espero que você curta seus 18, mais do que eu to curtindo os meus. E espero também festejar tudo que o destino te reserva junto contigo! De mão dada, de boca colada, abraço apertado, namorada ou cigarro compartilhado, tanto faz... Só quero estar junto. Sempre! Seja na sala de aula ou na mesa de bar. Te amo, Thzinha. Amo mesmo!"

Um lindo texto que recebi no dia de meu aniversário.

terça-feira, 18 de junho de 2013

E que o que ainda não foi, seja!

Quatro listras: duas verdes, duas amarelas na bochecha esquerda e direita. Vinte centavos. Alguns milhões a mais. Bilhões até? Dez mil vozes numa só. Dez mil pés cansados por essas ruas que cheiram a gás,
gás por todo lugar. Só sufocando. Só sufocando? Não.
Sufoca um, erguem-se dez. Cala um estado, que gritem mais dez. "E que nada cale a nossa voz".
Gás? Houve um erro! Não pedi gás, pedi paz. Isso mesmo p-a-z.
Três letras, vinte feridos, vinte centavos. Atenção, o despertador tocou! E é claro que um filho teu não foge a luta!
Luta? Pelo mínimo. Vergonhoso. Vergonha, cheios de vergonha. Entrar num daqueles hospitais públicos. Vergonha. Luta dos professores em salas de aula, ah heróis.
Muitos heróis, novos e velhos. Uma luta. Aqui, oitenta mil
no poste
no carro
no ônibus
na rua.
Um milhão e seiscentos mil braços erguidos, sim algo ainda está de pé. Um, dois, dez, quinze, vinte motivos. Vinte centavos? Vinte mortos esperando na fila por uma consulta,
luta? O povo luta.
Um país, verde, amarelo, branco, azul anil. Agora as listras seguem braços e pernas. O rosto inteiro verde e amarelo. E vermelho, algo me atingiu e sangra. "Jamais pensei que ele fosse atirar". Um tom de vermelho que se confunde com fogo e sangue. Sangue verde e amarelo. Amarelo de raios fúlgidos? Amarelo ouro. Bilhões até.
As quatro listras verde e amarelo, os vinte centavos, a voz, os pés, o filho, o herói, o novo e o velho, a luta, o braço, o povo, gigantes pela própria natureza, não temem a própria morte.

domingo, 9 de junho de 2013

1/2 de reflexões antes do almoço

     Há um tempo tenho pensado em algo que só se pensa quando está triste. Penso encostada no poste esperando o ônibus passar, penso com a cabeça encostada na janela do ônibus, penso antes de dormir. Acho que tenho pensado tanto que nem cabe em mim.
     Eu pensava que a dor era um tipo de amadurecimento, mas repensei e percebi que é só uma coisa que te faz pensar. Depois ré-repensei e acho que é o misto disso. A tristeza que a dor trás, ela te faz pensar como um desgraçado, te faz questionar tanta coisa. Aqueles pensamentos que a gente coloca debaixo do tapete porque vive esperando o dia de ser feliz.
     A felicidade, me chamem de louca, mas a felicidade é um mal. Gente que é feliz é toda boba. Ri de tudo, tudo é engraçado, tudo é válido, tudo é motivo, tudo é causa, tudo explica. Gente feliz não liga pra nada. Gente feliz não se escora no poste, na janela do ônibus. Gente feliz dorme.
     Quando a gente fica triste, fica lembrando de todos os momentos, aí começa a analisar. Se você faz isso, pare... vicia e não é bom. Não é bom ser triste e ficar procurando coisa na memória. Acontece que triste a gente fica mais inteligente, como entender? Queria achar uma metáfora, ou ainda uma comparação para aqueles leitores superficiais não lerem esse texto e me chamarem de louca mais uma vez, mas eu sinceramente não consigo.
    Bentinho, esse cara poderia ter morrido feliz acreditando ter sido amado por Capitu, mas estudou tanto cada gesto, cada atitude, olhar e palavra, que entendeu o que não queria. É isso, quando você é triste, você olha pra si, você pega o lixo debaixo do tapete e pensa no porquê de aquilo ainda estar ali. Vejamos, uma metáfora! É isso, estar feliz é não perceber o quão terrível a vida é. Estar feliz e vivo e ter ainda alguma esperança dentro de si. Estar triste é analisar, perceber, detalhar, filtrar, concluir, duvidar, desesperar, agoniar e morrer. É um processo doentio, não me perguntaram, de fato, se eu queria tudo isso.

domingo, 2 de junho de 2013

Além do que se vê?

Estive aqui a pensar. Comecei a desenhar então. Esta sou eu há mais ou menos duas horas atrás, horas as quais tirei pra cutucar com ferro quente o coração. A primeira imagem pode ser interpretada como minha visão dessa janela, meio distorcida porque tenho lá os meus dois graus de miopia, mas é burrice chorar de óculos. A segunda mostra como eu deveria estar ridiculamente na janela, cheia de "e se" e "por que". Deve ser só assim que as pessoas me veem, se veem.