Seu João. 42 anos. Vinte e sete deles vividos na metrópole. Pão sem manteiga às 6h da manhã todo dia. Café pra desentalar. Quinze no comércio. Zelador do comércio. Trem e ônibus no fim do dia. Casa pequena. Ele, um fogão um colchão, um freezer, algumas peças de roupa e três pares de sapato. Sonhava com uma casa grande e mais tempo livre para rever a mãezinha ainda viva na cidade natal.
Sexta-feira, seu João na sala do chefe. "Corte de funcionários". Seu João, mais um fim de dia. Cabeça encostada na janela do ônibus. Pensando no amanhã sem café e pão.
O amanhã não chegou.
Sozinho. 10m².
Ninguém soube que ele foi morar longe, não, ninguém soube. Não foi ponto, feriado, desconforto pra ninguém...
soube.
Diz a lenda que trocou suas certezas por alguns sonhos mágicos. Não foi ponto, o comércio estava pronto e, vem, meu bem, dia de São Ninguém.
Ainda não fazem pessoas de algodão. Ainda não fazem pessoas que enxuguem suas próprias mágoas.
Parafraseando a música João e o Pé de Feijão, do cantor Cícero. Com minha interpretação, claro. (Recomendo ler ouvindo)