sexta-feira, 18 de setembro de 2015

E nega.

Eu sempre fui daquelas que queria uma história de amor bonitinha. Eu nunca quis um namorado, mas eu sempre quis amor.
E eu pensei sobre ele esses dias, e lembrei das vezes que desliguei o celular dizendo "te amo" enquanto ele falava "boa noite". Ele nunca diz que me ama, mas
Ele é o cara que me liga pra saber se eu cheguei em casa bem depois da gente pegar o ônibus;
Ele é o cara que vem quando eu grito que to em crise. E ainda traz chocolate. Que foi a São Paulo me ver. Que não apagou minhas juras de amor da parede do quarto. Que é viciado no meu sexo. Que bebe com meus amigos e amigas enquanto contamos sobre amores fracassados (incluindo o nosso).
Talvez ele não me ame, afinal, ele nunca diz "eu te amo". Ele diz "fica perto", "não some", "foi ruim quando tu tava longe", "fico feliz da gente ter voltado a se falar".
Ele nunca diz "eu te amo".
Ele simplesmente faz mais do que isso.
Talvez eu que não tenha aprendido a conceituar o que é amor.
E no final a gente talvez se ame mais que a humanidade inteira.

sábado, 12 de setembro de 2015

Eu cresci (?)

Hoje eu vim aqui pra falar sobre essa coisa espantosa que, segundo as antigas lendas, acontece com todo mundo: crescer.
Eu já li vários textos que falavam sobre isso e esse pode ser só mais um para quem está a ler, mas é ai que tá. A gente vê aquelas pessoas que são alguns anos mais velhas que a gente falando sobre adultescer, sobre responsabilidades, sobre "quando você tiver minha idade" e acha que tá sempre tudo muito distante. Não, não tá.
Acho que perceber que cresceu dói mais do que crescer em si, não que seja ruim, mas dá uma pontadinha de susto. E sim, são nas pequenas coisas que a gente deixa passar despercebido que estão as pitadinhas de evidências que o tempo passou.
É por exemplo, ir pra balada ou o pro barzinho com os amigos e, além de não conhecer mais as músicas-tendência da atualidade que as outras pessoas da balada costumam cantar com hino, encontrar a irmã do cara que você namorou, a prima mais nova da sua amiga, aquela pessoa que era 4 séries mais nova que você na escola.
É não se enquadrar nas modinhas das redes sociais porque você não tem mais paciência. É justamente essa ausência de paciência que te faz jogar o celular de lado quando alguém acha que o único jeito de se comunicar é através de mensagens instantâneas. Porque a equação "trabalho+faculdade" já te distancia demais de quem você costumava estar grudado.
É dizer constantemente pra mãe "ah sabe aquele menino que foi meu par na festa junina da 6ª série? Pois é, ele tá indo pra Europa porque ganhou uma bolsa de estudos". É identificar pelo menos um conhecido de um conhecido trabalhando no shopping ou numa empresa que passa na tv.
Marcar aquela saída com os amigos do terceiro ano do ensino médio (provavelmente no fim de semana tendo em vista a carga horária super incompatível do trabalho de cada um) e aparecer metade deles apenas. Não que isso seja motivo pra se preocupar, afinal, a mesa não ficará vazia. Dessa vez há esposas, possíveis filhos, noivos ou coisas do tipo.
É guardar bebidas em casa porque em algum momento do seu dia você vai precisar chorar ou comemorar alguma coisa.
É nunca ter dinheiro pra sair e sentir falta daqueles R$ 10,00 que a mãe dava pra ir pro cinema sábado e comprar uma casquinha de sorvete.
Ver seus primos ou irmãos mais novos usando as desculpas que você usava pra não estar em casa, como dizer  pra mãe que vai fazer trabalho da escola na casa de um amigo e saber que eles não estão indo fazer trabalho na escola porque você também costumava dizer isso pra brincar de verdade ou desafio a tarde toda.
É perceber que os filmes que você via a estréia no cinema estão virando clássicos.
E quando você percebe tudo isso, acaba dizendo pros mais novos que "no seu tempo" as coisas eram muito diferentes. Afinal, apesar de termos feito tudo que fizemos, nós ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.