terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Desculpa, vai.

Esse é um post sobre um pedido de desculpas que não consegui expressar simplesmente com palavras.













terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Existe um baixista, Willian, e sobre ele...

Willian, meu amigo, eu venho te contar,
por meio desta e por muitas outras mensagens, como as que eu te mando todo dia com o mesmo assunto,
eu já não choro mais.
E se eu não choro, meu amigo, você também pode.
Queria te falar que tudo nessa vida, é questão de tempo. O que prova que algo existiu, senão a proporção em que se passou?
Queria te dizer também, que por confiar no tempo, entreguei-me ao destino.
Sabe aonde? Na Avenida Paulista, próximo à livraria cultura e de um senhor que tocava Vinicius de Moraes num saxofone.
Entreguei-me ao destino, que atrevido, dançava ao som de beatles na calçada. Meus olhos focaram involuntariamente - como criança mal criada - naquele que portava o instrumento cujos dedos formam abraços e sons tão distintos como os que saem do baixo
e os que saem da minha boca quando perguntei seu nome.
Entre sussurros, aplausos e I wanna hold your hand.
Eu não imaginei que seguraria mesmo, se é que me entende, Willian.
Ele segurou minha mão no encontro seguinte, que foi marcado num dia de chuva e fui obrigada a comprar um guarda chuva por dez reais e um trident. Minha lua em capricórnio não conseguiu me dominar e eu realmente quis que valesse a pena.
E aquele espelhos nas costas daquele banco próximo - novamente - à livraria cultura, ouviram inúmeras palavras sobre o dia de uma geminiana e o quanto um certo aquariano tentava coletar todas as informações, como quem colhe água da chuva com colher.
Ainda sim, com apreço e com colher, ele coletou o máximo que pode, suficiente pra fazer-nos sorrir depois inusitadamente com uma foto, duas três. E chocolate de natal, é claro.
E foi assim durante a semana toda. Chocolate, trident, cigarros, etc. O que mais, Willian, um homem precisa para se sentir completo?
Eu vim por meio deste, dizer que estive plenamente feliz e realizada, quando nos mínimos detalhes de minha casa nova, esteve presente esse tal aquariano baixista de cabeça na lua.
"Dois signos de ar, ai meu deus".
Ainda tenta, o mesmo, colher todas as gotinhas de informação que solto, todos os filmes que vejo, todos os jogos que jogo, todos os livros que leio, todas as comidas que como, todos amigos que tenho, todas as feridas que carrego, todas os conflitos que enfrento.
Acredita, amigo, que ele tem coragem de olhar nos meus olhos e dizer que não tem sentimentos, quando está claro que o que temos é algo a mais, que preferimos não rotular, sabe. As coisas da vida são mais bem aproveitadas quando a gente só vive elas, e não organiza em prateleiras.
Mas o que fazer quando até o cachorro dele já deita no meu pé sem fazer birra quando eu chamo? Ou quando a irmã dele me convida pra fazer bolo de madrugada e achamos isso super divertido?
Você que viveu mais que eu, ou entende mais dessas coisas de estar perto, me explica o que a gente faz quando chega nesse nível, porque eu não me lembro qual a última vez que alguém me fez tão bem de forma tão sutil.
Ou tenta me explicar, Willian, por que eu sinto necessidade de poetizar tudo que acontece na minha vida, ainda que depois eu chore de arrependimento, ou chore pela incerteza da permanência de um alguém, ou chore pela certeza da mutabilidade do mesmo alguém citado anteriormente ou nesse texto todo?
Por que diabos eu não aprendo?
Eu não sei, eu fico feliz quando transamos porque o sexo dele é exatamente do jeito que eu gosto de comentar com minhas amigas e dizer que foi o máximo. E já gosto da conexão dos nossos olhos quando se encontram paralelamente na mesma cama. Gosto quando ele não me deixa dormir, porque eu aprendi que ninguém sobrevive sem um corpo quente te apertando de madrugada. Gosto também do jeito desajeitado com que ele se vira e prende meu cabelo em algum lugar, ainda que não haja lugar nenhum em que se possa prender um fio de cabelo, ele tem o dom.
Eu estou perdida, amigo, ontem chorei de apuros quando me dei conta, mas ele estava do lado e me acalentou em seu peito.
Sobre o hoje, eu não sei, só queria que ele não entrasse na lista de uma das pessoas que foi embora e me deixou assim... insegura da vida.
Mas sobre o hoje eu não tenho certeza alguma. Nem mesmo sei (devido ao horário de verão) se hoje já é hoje aí ou ainda é ontem.
E o tempo mexe comigo, principalmente quando está tão perto de te provar que há um mês eu consegui sobreviver e reviver em cima daquilo que pensávamos ser o fim,
do mundo,
dos tempos,
de nós.
Tudo tem salvação, amigo, exceto quando você não se perdoa.
Boa noite, amo você,
e muitas coisas da vida das quais sinto falta especialmente nessa noite.