sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Luz para ver os tais.

"Ele não disse nada e seguiu em frente. Vi quando caiu por terra, arfando, e quando se levantou novamente e voltou a correr.
Encolhi-me ainda mais na beirada e fechei os olhos e pensei: 'Ah, que vida esta, para começo de conversa, para que nascer? Só para submeter nossa pobre carne a horrores assim tão impossíveis quanto montanhas enormes e pedras e o espaço vazio?', e com terror me lembrei do famoso ditado zen: 'Quando chegar ao topo de uma montanha, continue escalando'. O ditado fez meus pelos se arrepiarem: quando estava sentado sobre as belas estrelas de Alvah, aquilo soara como uma poesia encantadora. Naquele momento, bastava para fazer meu coração saltar dentro do peito e fazer meu coração sangrar pelo simples fato de ter nascido. 'Na realidade, quando Japhy chegar ao topo daquela escarpa ele vai continuar escalando, pelo jeito como o vento está soprando. Bom, este velho filósofo vai ficar aqui, bem aqui', e fechei os olhos. 'Além disso', pensei 'descanse e seja gentil', você não precisa provar nada. 'De repente, ouvi um lindo grito montanhês falhado de intensidade estranhamente musical e mística ao vento, e olhei para cima, e era Japhy em pé no topo do pico do Matterhorn, soltando sua canção de alegria de Buda Montanhês Arrasador, triunfante por ter conquistado a montanha. Foi lindo. Foi engraçado também, ali no topo da Califórnia que não era tão engraçado assim. e no meio daquela neblina agitada.
Mas eu precisava tirar o chapéu pra ele, quanta coragem, quanta resistência, quanto suor, e agora o homem louco cantava: a cereja em coma do sundae. Eu não tinha força bastante para responder ao grito de Japhy. Ele deu uma corridinha lá em cima e sumiu do plano (segundo ele) que se estendia alguns metros para o oeste e daí voltava a desabar lá pra baixo, talvez até os pisos de diferença. Era insano. Dava pra ouvir ele gritando na minha direção, mas eu só me encolhia mais na minha reetrância protetora, tremendo. Olhei lá para baixo, para o laguinho onde Morley estava deitado de barriga para cima com uma folha de capim na boca e falei alto: 'Aqui está o carma destes três homens - Japhy Ryder chega a seu pico triunfante e coquista; eu quase chego lá, mas preciso desistir e me encolher em uma porcaria de caverna. mas o mais inteligente de todos eles é aquele poeta dos poetas deitado lá embaixo com os joelhos cruzados olhando para o céu, mascando uma flor, sonhando à beira de um plage gorgolejante, caramba, nunca mais vão me fazer subir aqui'.
Os vagabundos iluminados - Jack Kerouac.



Desenhei o modo como imaginei a cena descrita. Uma das mais instigantes, para mim, em que senti o frio de Ray, a brisa de Japhy e o conforto de Morley. Este livro é realmente incrível.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Salivar

outro mundo, chocolate, estrada
silêncio, tons, rosa, amada,
arroz, sol, carne, mar
strokes, desconectar
respirar, uh ah
gemer, gozar,
estudar.
mochila, carro, cereal
amigos, maconha, pau
desonibusar, transar
desrelógio, destempo
contento.
fim de tarde, brisa
risos, violão, sem camisa
calor, grito, frio
bain de rio.
grama, deitar
rir, amigos, mousse de limão
tesão.
fini, sabonete, desmoral
imoral, amoral, sem moral
oral.
tinta, papel, poeta
história, s
zzZz
concha, areia
orvalho, nevasca
alasca, eua,
meditar, insenso
inconsenso
atópico
utópico
itópico
af.